Crediário próprio na ótica: quando vale e como não virar banco ruim
Crediário próprio é uma decisão financeira disfarçada de decisão comercial. Ele aumenta ticket e atende quem não tem cartão, e em troca prende capital e transfere risco para a loja.
Quando faz sentido
Faz sentido quando a sua clientela realmente não passa no cartão, quando a loja tem capital de giro para bancar a espera e quando existe alguém responsável por cobrar. Faltando qualquer um dos três, o crediário vira prejuízo com aparência de faturamento.
Critérios de concessão que cabem no balcão
Não é preciso análise de crédito sofisticada. Três informações resolvem a maior parte: identificação confirmada, alguma referência de contato e histórico na loja quando existir.
Defina um limite inicial baixo para cliente novo e amplie conforme o histórico. Cliente que pagou dois carnês em dia merece condição melhor que cliente da primeira compra, e isso precisa ser regra, não simpatia.
Entrada não é detalhe
A entrada cobre boa parte do custo do produto e filtra intenção. Venda sem entrada com parcela longa é onde a inadimplência se concentra.
A rotina de cobrança que funciona
Cobrança eficaz é cedo e educada. Lembrete antes do vencimento evita boa parte do atraso, porque muita gente atrasa por esquecimento e não por falta de dinheiro.
Depois do vencimento, contato nos primeiros dias resolve mais que carta formal no mês seguinte. Quanto mais tempo passa, menor a chance de receber.
Os números que você precisa olhar
Percentual da carteira em atraso, valor total a receber e prazo médio de recebimento. Os três juntos dizem se o crediário está financiando venda ou financiando cliente.
Um sinal de alerta claro: se o valor a receber cresce mais rápido que o faturamento, você está vendendo o mesmo e recebendo mais devagar.
Quando parar
Se a inadimplência passa do que a margem do produto suporta, o crediário está subsidiando venda. Nesse ponto, reduzir prazo ou exigir entrada maior é melhor que apertar cobrança.
Próximo passo
Levante hoje quanto você tem a receber e quanto disso está vencido. É um número que muita ótica nunca calculou de forma consolidada. Para acompanhar recebimentos e vencimentos, veja sistema para ótica.